Gênero na matemática escolar: um ato de resistência política

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Elenilton Vieira Godoy
Fernanda Dartora Musha
Yasmin Cartaxo Lima
Marcio Antonio da Silva

Resumo

De onde menos se poderia imaginar - aulas e livros de matemática – é possível discutir temas relacionados a gênero, subvertendo a lógica conservadora que busca abafar até a morte essas discussões. Sim, a matemática pode ser uma disciplina escolar estratégica para que a não-neutralidade dos currículos se manifeste colocando em movimento ações de contraconduta às relações de poder postas pelo conservadorismo de certas parcelas da sociedade brasileira. Por intermédio de alguns exemplos que apresentam resultados de investigações realizadas por pesquisadorxs de duas universidades públicas brasileiras, pretende-se responder à questão: O que pode um currículo de matemática, no que concerne às discussões sobre questões de gênero? Esses exemplos deveriam ser reverberados, sempre que possível, nos espaços escolar e de formação de docentes que ministram matemática intencionando experienciar situações em que a matemática possa conflitar em vez de consensuar, neste caso, a dominação masculina e o arquétipo submisso e recatado da mulher.

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Como Citar
Godoy, E. V., Musha, F. D., Lima, Y. C., & Silva, M. A. da. (2020). Gênero na matemática escolar: um ato de resistência política. Ensino Em Re-Vista, 27(3), 979-1004. https://doi.org/10.14393/ER-v27n3a2020-9
Seção
Dossiê Currículos em Educação Matemática II

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