PANCREATITE AGUDA E PRESENÇA DE GÃ?S ENCAPSULADO NO PÂNCREAS DE UM CÃO - RELATO DE CASO

  • FERNANDES, S.M.L. Autonomo
  • PEREIRA, D.P. ICBIM - UFU
  • CRIVELENTI, L.Z. Autonomo
  • BORIN, S. Autonomo
Palavras-chave: Pancreatite, abscesso pancreático, gás encapsulado, cão.

Resumo

Este trabalho descreve um caso raro de pancreatite aguda com presença de gás encapsulado no pâncreas de uma cadela da raça Cocker Spainel Inglês de um ano e quatro meses. O animal deu entrada no Pronto Socorro Veterinário de Uberlândia- MG apresentando dor abdominal severa. Após anamnese suspeitou-se de pancreatite aguda. Foi então realizado um exame de ultra-sonografia abdominal total. Encontraram-se alterações compatíveis com abscesso pancreático, além de repleção intensa da vesícula biliar, e alteração da morfologia renal. A paciente passou por uma laparotomia exploratória abdominal cranial. Os achados ultra-sonográficos foram confirmados, no entanto, o pâncreas apresentava-se com volume aumentado, coloração acastanhada e bordas arredondadas. Na porção cranial do órgão, junto à saída do ducto pancreático principal, estava presente um nódulo arredondado de mais o menos 1 cm de diâmetro e consistência macia. Foi identificado como abscesso pancreático. Ao tentar drenar o suposto abscesso, percebeu-se que a cápsula es-tava preenchida apenas por gás. Todo o gás foi retirado e nada mais foi encontrado. Nas primeiras 24 horas pósoperatória, a paciente demonstrou melhora no quadro de dor abdominal, deixando claro que a causa principal era a distenção provocada pelo gás. Após esse período o quadro doloroso retornou ao seu estado inicial possivelmente por novo acúmulo de gás. Não se encontrou nenhum caso relatado nas literaturas médica e veterinária de acúmulo de gás no pâncreas. Foi realizado tratamento comum para pancreatite, sendo que foi adicionado ao protocolo o metronidazol 300 mg a cada 12 horas por via Intra-venosa por dez das e flunixin meglumine 11mg a cada 24 horas por via intra-muscular por três dias. O metronidazol foi utilizado devida suspeita de infecção pancreática por bactérias anaeróbicas fermentativas do trato intestinal e o flunixin meglumine devido edema do ducto pancreático principal, bem como do duodeno, causando obstrução do ducto colédoco. Após cinco dias de internação houve melhora no quadro de dor. No sétimo dia de internação o animal recebeu alta para tratamento dietético em casa. A pancreatite é uma doença grave relativamente comum em cães. 50% dos casos estão associados a abscessos ou pseudocistos. Apesar da alta mortalidade, geralmente é auto-limitante podendo melhorar espontaneamente dentro de uma ou duas semanas. Já casos de acúmulo de gás no órgão aparentemente são de rara ocorrência.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2008-02-12
Seção
Artigos