CONHECIMENTO COMO FRUTO PROIBIDO NA BIBLIOTECA LABIRÍNTICA DE O NOME DA ROSA

  • Cynthia Beatrice Costa UFU
Palavras-chave: O nome da rosa, labirinto, Gênesis

Resumo

Ao traçar um paralelo entre o fruto proibido do Gênesis e o livro proibido em torno do qual gira a trama de O nome da rosa (1980), de Umberto Eco, o presente artigo propõe uma interpretação – ciente de que há diversas outras possíveis – para a biblioteca labiríntica retratada no romance. Em meio ao enfrentamento entre monges que desejam acesso ao conhecimento e monges que interditam esse acesso, julgando-o perigoso, pode-se perceber na abadia criada por Eco alusões à queda de Adão e Eva, que são expulsos do Éden por experimentarem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A partir do estudo de símbolos (BIEDERMAN, 1992; CIRLOT, 2001; FERBER, 2007; TRESSINDER, 2012), de considerações a respeito do mito fundador bíblico (COTTER, 2003; TOWNER, 2001) e de explicações sobre o labirinto dadas pelo próprio autor (1985; 2017), procura-se investigar relações entre proibição, autoridade e conhecimento no contexto do livro.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BACON, Francis. Bacon’s Novum Organum – Fowler. Londres/Oxford: Claredon Press, 1878. Ebook. Disponível em: https://archive.org/details/baconsnovumorga01fowlgoog/page/n7. Acesso em: 15 out. 2019.

BAXTER, David G. “Murder and Mayhem in a Medieval Abbey: The Philosophy of The Name of the Rose”. The Journal of Speculative Philosophy 3, n. 3, 1989, p. 170-89.

BIEDERMAN, Hans. Dictionary of symbolism: cultural icons and the meanings behind them. Tradução para o inglês de James Hulbert. Nova York / Oxford: Facts on File, 1992.

CIRLOT, J. E. A dictionary of symbols – second edition. Traduzido do espanhol por Jack Sage. Londres: Routledge, 2001.

COTTER, David W. Genesis (Berit Olam: Studies in Hebrew Narrative & Poetry). Collegeville (Minnesota): The Liturgical Press, 2003.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Tradução de Aurélio Guerra Neto e Celia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 2000.

ECO, Umberto. De bibliotheca (I Quaderni de Palazzo Sormani, 6 – Comune di Milano, 1981). Tradução de Ana Lúcia S. Labigalini, Cesar Casella, Flora Mariottini e outros. Campinas: Unicamp, 2004. Disponível em: https://www4.iel.unicamp.br/biblioteca/arquivos/Eco_Umberto_De_Bibliotheca.pdf. Acesso em 15 out. 2019.

ECO, Umberto. Obra aberta. Tradução de Giovanni Cutolo. São Paulo: Perspectiva, 1991.

ECO, Umberto. O nome da rosa. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. Rio de Janeiro: Record: 2017.

ECO, Umberto. Reflections on The Name of the Rose. Londres: Secker & Warburg, 1985.

FERBER, Michael. A dictionary of literary symbols – second edition. Nova York: Cambridge University Press, 2007.

GARRETT, Jeffrey. “Missing Eco: On Reading ‘The Name of the Rose’ as Library Criticism”. The Library Quarterly: Information, Community, 4, 1991, p. 373-388.

GÊNESIS. Tradução de Alexandro Zir. Porto Alegre: L&PM, 2001.

GUIMARÃES, Denise Azevedo Duarte. “A Idade Média revisitada por Umberto Eco”. Letras, Curitiba, n. 37, p. 208-223

HAFT, Adele J.; WHITE, Jane G.; WHITE, Robert J. The Key to ‘The Name of the Rose’: including translations of all non-English passages. Ann Arbor (MI): University of Michigan Press, 1999.

HARTOG, François. O espelho de Heródoto – ensaio sobre a representação do outro. Tradução de Jacyntho Lins Brandão. Belo Horizonte: UFMG, 1999.

KURY, Mário da Gama. Introdução. In: SÓFOCLES. A trilogia tebana: Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

SWAIM, Kathleen M. “The Art of the Maze in Book IX of Paradise Lost”. Studies in English Literature, 1500-1900 12, n. 1, 1972, p. 129-40.

TERZIEVA-ARTEMIS, Rossitsa. “The Name of the Rose and the Labyrinths of Reading”. In: BLOOM, Harold; HOBBY, Blake (Ed.) Blooms’s Literary Themes: The Labyrinth. Nova York: Bloom’s Literary Criticism (Infobase Publishing), 2009). p. 173-184.

TOWNER, W. Sibley. Genesis. Louisville: Westminster John Knox Press, 2001.

TRESSIDER, Jack. The Watkins dictionary of symbols. Londres: Watkins Publishing, 2012.

VOGL, Joseph. Ein Labyrinth ohne Anfang und Ende. Was ist ein RHIZOM? Disponível em: https://www.dctp.tv/filme/prime-time-30-09-2007. Acesso em 15 out. 2019.
Publicado
2019-12-17