Coastal Vulnerability Index revisto: estudo de caso para Maricá, RJ, Brasil

Palavras-chave: Geomorfologia costeira, Gerenciamento costeiro, Geotecnologia

Resumo

A costa brasileira tem mais de 7000 quilômetros de extensão com muitos ecossistemas diferentes. Entre eles, estão as praias, dominadas pelo alto dinamismo causado pela ação dos agentes oceanográficos (marés, ondas e correntes). A ocupação humana do litoral para moradia e o uso econômico (portos, turismo, pesca), aumentam a possibilidade de danificar esse ecossistema. Os estudos de vulnerabilidade costeira são uma ferramenta importante para o gerenciamento dessas áreas, prevendo como um ambiente pode lidar ou se recuperar de eventos extremos, por exemplo, o aumento do nível do mar. Este estudo visa melhorar a avaliação da vulnerabilidade das áreas costeiras, contribuindo para uma gestão costeira mais eficiente, responsável e sustentável. Para testar o conceito, foi utilizada uma área no litoral de Maricá, município do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Este litoral é composto por uma longa praia arenosa limitada por costões rochosos. Um índice de vulnerabilidade foi calculado a partir da análise dentro de um SIG dos dados de geomorfologia, declividade costeira, migração da linha de costa, amplitude das marés, altura máxima das ondas, avaliação do cenário de mudança do nível do mar, altura das dunas e variáveis ​​de densidade urbana para os vários setores costeiros. Foi constatado que 34,69% do litoral possui vulnerabilidade muito alta, 34,03% alta, 25,33% moderada e 5,95% baixa.  Os resultados obtidos contribuem para o planejamento e gestão da área de estudo, fornecendo uma ferramenta para a análise ambiental local, e estabelece um ranking de prioridades para a ação pública, baseado nos diferentes níveis de vulnerabilidade encontrados no litoral de Maricá.

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Publicado
2020-03-30
Como Citar
OSILIERI, P. R. G.; SEOANE, J. C. S.; DIAS, F. F. Coastal Vulnerability Index revisto: estudo de caso para Maricá, RJ, Brasil. Revista Brasileira de Cartografia, v. 72, n. 1, p. 81-99, 30 mar. 2020.
Seção
Artigos Originais