Circo: educando entre as gretas

Marco Antonio Coelho Bortoleto, Erminia Silva

Resumo


Pesquisadores, artistas e críticos coincidem ao apontar as escolas de circo como um “novo” elemento na complexa dinâmica constitutiva do circo contemporâneo, fato que provocou significativas mudanças na sua secular relação com a sociedade. Entre créditos e descréditos, homens e mulheres artistas circenses se mostram potentes para se reinventar, encontrando fendas, brechas, gretas. Assim a formação artística circense, bem como seu reconhecimento e trato nos espaços educativos revelam uma capacidade rizomática ímpar, com soluções profícuas até mesmo nas situações mais estreitas e críticas. Essa conjuntura apertada, não impediu sua expansão, sua presença na educação básica, reverberando inclusive na formação acadêmica. De fato, são os profissionais circenses em todas as origens e espaços que ocupam, que possibilitam uma vibrante e prometedora presença do circo no âmbito educativo. No entanto, a interação das políticas educacionais com o circo revela-se incipiente, insuficiente e, por vezes, contraditória.


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DOI: http://dx.doi.org/10.14393/issn2358-3703.v4n2a2017-07

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