“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”

a violência física e simbólica contra a mulher na Marca Rio (2016-2018)

  • Diego Santos Vieira de Jesus ESPM-Rio
  • Daniel Kamlot ESPM-Rio
  • Veranise Jacubowski Correia Dubeux ESPM-Rio
  • Patricia Cerqueira Reis ESPM-Rio
  • Diogo Tavares Robaina ESPM-Rio

Resumo

Com base predominantemente na obra de Reis (2018) acerca da construção de marcas de cidades e na teoria performativa de gênero desenvolvida por Butler (1990), o objetivo é examinar a performatividade da mulher na identidade, na imagem e na reputação da Marca Rio entre 2016 e 2018. O argumento central aponta que, nas manifestações das evidências físicas e simbólicas da identidade da Marca Rio, a mulher é objetificada em face do agravamento da violência contra o gênero feminino na cidade no período em foco. A violência física fica clara no aumento de casos de feminicídio e de violência doméstica contra a mulher, enquanto a violência simbólica evidencia-se na participação marginal das mulheres no mercado de trabalho – no qual permanecem mal remuneradas e concentradas em funções menos valorizadas –; na sub-representação na formulação de políticas públicas no Rio de Janeiro e nas representações culturais sexualizadas da cidade, apesar da maior participação feminina na dimensão sociocultural da identidade carioca. Na imagem da cidade – formada pelos esforços de comunicação da e sobre a marca Rio –, ainda que se tenha uma maior atenção ao gênero feminino nas comunicações de serviços públicos e de engajamento, perpetua-se a quase invisibilidade da mulher nas comunicações de negócios. Os estereótipos generificados e objetificantes que situam a mulher em posições subalternas são gradualmente questionados nas comunicações de visibilidade internacional e de opinião pública, mas tais comunicações ainda se mostram incapazes de contribuir para uma efetiva eliminação de estruturas patriarcais e misóginas vigentes na cidade. Diante do desempenho insatisfatório do Rio de Janeiro no que diz respeito à igualdade de gênero, a reputação da cidade acaba sendo prejudicada quando comparada às avaliações internacionais de outras marcas de cidades. Neste recorte, verifica-se que a construção da identidade e da imagem da Marca Rio, em vários aspectos, é um processo generificado que associa o Rio de Janeiro a um status quo de manutenção e reprodução da desigualdade de gênero na cidade..

PALAVRAS-CHAVE: Marca de cidade. Rio de Janeiro. Gênero.

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Biografia do Autor

Diego Santos Vieira de Jesus, ESPM-Rio

Doutor em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e professor e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio).

Daniel Kamlot, ESPM-Rio

Doutor em Administração de Empresas pela FGV/EBAPE e professor e pesquisador do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio).

Veranise Jacubowski Correia Dubeux, ESPM-Rio

Doutora em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora e pesquisadora do Programa de Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa (MPGEC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio).

Patricia Cerqueira Reis, ESPM-Rio

Doutora em Comunicação na ECA USP e professora e pesquisadora da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio).

Diogo Tavares Robaina, ESPM-Rio

Doutor em Computação pela UFF e professor e pesquisador da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-Rio).

Publicado
2020-02-29
Seção
Artigos