Avaliando a re-expressão e criatividade de alunos de tradução

Uma abordagem positiva

Palavras-chave: Ensino de tradução, Avaliação de traduções, Abordagem positiva, Modelo de aceitabilidade

Resumo

Embora a tradução possa ser considerada um processo de comunicação que se realiza em duas (ou três) fases, isto é, compreensão – (conceituação) – e re-expressão, a maioria dos estudos teóricos e pedagógicos tem se dedicado à compreensão e conceituação. Há, no entanto, uma necessidade crescente de estabelecer uma base teórica para a terceira fase, uma vez que, contrariamente à máxima de Boileau (de que ideias bem concebidas podem ser facilmente expressadas), mesmo quando há compreensão total, as palavras não surgem facilmente. Para que a re-expressão seja mais bem ensinada, sua avaliação precisa ser repensada. Este artigo concentra-se na avaliação da re-expressão em tradução. Com base em um estudo detalhado de vários textos escritos em inglês e traduzidos para o francês por cerca de 38 alunos do primeiro ano de um curso de Tradução, primeiramente ressalta a diferença entre expressão e re-expressão e entre criatividade e literalidade, sendo aquela vista como um “desvio” (ou afastamento) desta. Em segundo lugar, defende uma avaliação positiva (que envolve a análise de soluções bem-sucedidas, e não de erros), já que a avaliação negativa tem um impacto relativamente limitado no processo de aprendizagem e estudá-la não seria muito produtivo. 

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Biografia do Autor

Georges L. Bastin, Département de Linguistique et de Traduction, Université de Montréal

Tradutor especializado em história da tradução, nascido na Bélgica e admitido no Departamento de Linguística e Tradução da Université de Montréal em 1998, Georges Bastin é diretor da revista científica Meta desde 2014. É também líder do Grupo de Pesquisa Histal - História da Tradução na América Latina.

Marileide Dias Esqueda, Universidade Federal de Uberlândia

Marileide Dias Esqueda é professora associada da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Possui mestrado e doutorado em Estudos da Tradução pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É tradutora profissional e autora de diversos artigos científicos e capítulos de livros publicados no Brasil e no exterior. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Montreal, em Montreal, no Canadá (2018-2019).

Walter Freitas, Universidade Federal de Uberlândia

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos do Instituto de Letras e Linguística da UFU.

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Publicado
2019-12-30
Como Citar
BASTIN, G. L.; ESQUEDA, M. D.; FREITAS, W. Avaliando a re-expressão e criatividade de alunos de tradução. Letras & Letras, v. 35, n. 2, p. 246-260, 30 dez. 2019.