O que aprendemos com Alice

Considerações sobre a leitura de literatura

Palavras-chave: Literatura e aprendizado, Estudos cognitivos, Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll

Resumo

O presente artigo trata de como a leitura de literatura de ficção pode constituir uma experiência de aprendizado para o leitor – um aprendizado que nem é instrucional, nem deve ser confundido com autoajuda. Parte-se da hipótese de que, no contato com a “arte verbal” (LOPES, 2012, p. 1), o leitor pode expandir a mente (SPOLSKY, 2015a), adquirir novos conhecimentos (GREEN, 2010) e aprender sobre emoções (KÜMMERLING-MEIBAUER, 2012; NIKOLAJEVA, 2014; SUIHKONEN, 2016). Baseia-se, principalmente, nos recentes estudos cognitivos da literatura, que abordam o texto literário de ficção do ponto de vista dos processos mentais que podem se desdobrar a partir de sua leitura. Para ilustrar esses possíveis processos de aprendizado, são examinados teoricamente trechos dos contos Aventuras de Alice no país das maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou lá, de Lewis Carroll, em tradução de Sebastião Uchoa Leite (1980).

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Biografia do Autor

Cynthia Beatrice Costa, Universidade Federal de Uberlândia

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (2002). Mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina (2016), com período sanduíche na Universidade de Yale. É professora adjunta do curso de Tradução da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), além de atuar nos programas de pós-graduação em Estudos Literários da UFU e de Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (PGET – UFSC).

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Publicado
2019-06-19
Como Citar
COSTA, C. B. O que aprendemos com Alice. Letras & Letras, v. 35, n. 1, p. 59-83, 19 jun. 2019.