Escrita e formação do espírito científico: o trabalho invisível do orientador

  • Claudia Rosa Riolfi Universidade de São Paulo
  • Emari Andrade Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Escrita, Texto Acadêmico, Formação de Pesquisadores, Espírito Científico

Resumo

Nossa hipótese é a de que o exame das marcas de enunciação que se depositam em versões de texto ajuda a reconstruir um percurso de pesquisa e as transformações pelas quais um pesquisador passa ao longo de sua formação. A pesquisa monstrou o trabalho invisível do orientador que ajuda na conquista do espírito científico (BACHELARD, 1996). O corpus foi composto por 1101 versões das dissertações de mestrado de quatro informantes. Quando necessário, foi instruído pela correspondência eletrônica relacionada à devolutiva das versões. Nos aspectos relativos à relação do pesquisador com o saber, o orientador incide sobre os seguintes comportamentos: inibição; isolamento; apatia; administração do tempo; desordem; inconsequência, colagem a terceiros e delegação de responsabilidade. Nos aspectos relativos à elaboração intelectual, evita que o aluno tome o secundário pelo essencial; os textos lidos como verdades absolutas; selecione elementos aleatoriamente; permaneça fechado e não consiga descrever os dados. Nos relativos à formulação do texto, encontramos: paráfrases repetidas de um mesmo conteúdo; argumentos pautados no senso comum; registro escrito que não inclui a audiência; falta de coerência lógica; imprecisão lexical; dificuldades de leitura do texto fonte; e uso de exemplos ou citações equivocadas. Por fim, na revisão, os aspectos mais pontuados foram: falta de coesão textual; erro de pontuação; apresentação gráfica desleixada e incorreção gramatical. Concluímos que trabalho invisível do orientador é necessário para reverter a passividade em atividade; subordinar a apreensão empírica à lógica subjacente aos fenômenos analisados; diferenciar as versões privadas e públicas do texto; e dar consequência às escolhas linguísticas e discursivas.  

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Biografia do Autor

Claudia Rosa Riolfi, Universidade de São Paulo
Professora Livre-Docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Emari Andrade, Universidade de São Paulo
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Publicado
2016-11-03
Como Citar
RIOLFI, C. R.; ANDRADE, E. Escrita e formação do espírito científico: o trabalho invisível do orientador. Letras & Letras, v. 32, n. 3, p. 164-184, 3 nov. 2016.