Breve história das jornadas de junho: uma análise sobre os novos movimentos sociais e a nova classe trabalhadora no Brasil


Resumo


Em junho de 2013, o Brasil viveu uma onda de protestos gigantescos que foram chamados de jornadas de junho. As manifestações começaram contra os reajustes das tarifas do transporte municipal, mas logo o movimento extrapolou essa temática, abordando todos os problemas da sociedade brasileira. O sistema político foi abalado, a popularidade dos governantes despencou, as redes sociais foram os principais instrumentos de mobilização, e novos movimentos sociais apareceram na arena pública. Quem são esses jovens? O que eles querem? Por que agora? São algumas das interrogações com as quais o artigo dialoga, com base em três hipóteses: do ponto de vista dos eventos, as jornadas de junho são resultado da combinação do aumento do valor das passagens do transporte municipal em pleno funcionamento do ano letivo de escolas e universidades com a truculência repressiva da Polícia Militar; no aspecto estrutural, as jornadas de junho podem ser relacionadas com o debate acerca da nova classe social que teria surgido no Brasil pós-governo Lula, que alguns chamam de nova classe média e outros de nova classe trabalhadora; por fim, as jornadas de junho podem ser vistas enquanto um momento de afirmação de novas formas de organização coletiva, com base em uma análise das concepções e práticas do Movimento Passe Livre de São Paulo, que esteve à frente dos primeiros protestos.

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