Planificação e manutenção linguística

a construção do sistema de escrita da língua Xikrín do Cateté

  • Lucivaldo Silva da Costa Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará-UNIFESSPA
  • Tereza Maracaipe Barboza Universidade Federal do Sul eSudeste do Pará - (UNIFESSPA)
  • Quelvia Souza Tavares Instituto Federal do Pará (IFPA)
Palavras-chave: Língua Xikrín, Sistema de escrita, Educação bilíngue.

Resumo

Neste estudo, descrevemos os processos mobilizados na confecção do sistema de escrita da língua Xikrín do Cateté e de um livro para auxiliar no processo de alfabetização e letramento dos falantes que estudam nas escolas das aldeias. Estas ações de planificação linguística objetivam a manutenção da língua e da cultura Xikrín do Cateté. Este povo fala uma variedade da língua Kayapó, pertencente à família Jê, Tronco Macro-Jê (Rodrigues 1986, 1999). Atualmente, vive em três aldeias, Cateté, maior e mais antiga, com aproximadamente 900 habitantes, Djudjêkô, com aproximadamente 500 habitantes, fica a 18 km da aldeia Cateté e Ô'odjãm, a mais recente e menor, com população estimada em 150 pessoas, está localizada à  margem esquerda do rio Cateté. A escassez de material didático na língua indígena está, em certa medida, condicionada a não existência de um sistema de escrita para a língua Xikrín. A construção de tal sistema pode possibilitar a criação de literatura em língua indígena para garantir um ensino bilíngue, diferenciado e específico, que fortaleça sua língua e sua cultura milenar. É válido ressaltar, ainda, que o sistema de escrita aqui proposto está ancorado em critérios fonológicos sem, no entanto, desconsiderar critérios políticos que respeitem a autonomia dos Xikrín na escolha dos símbolos representativos dos fonemas existentes em sua língua.

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Biografia do Autor

Lucivaldo Silva da Costa, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará-UNIFESSPA
Doutor em Linguística pela Universidade de Brasília-UNB. Docente da Faculdade de Educação do Campo na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará-UNIFESSPA. Atua na área de descrição e análise e documentação de línguas indígenas. Atua também, na formação de professores indígenas, revitalização e manutenção de línguas minoritárias.

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Publicado
2019-02-03
Como Citar
COSTA, L. S. DA; BARBOZA, T. M.; TAVARES, Q. S. Planificação e manutenção linguística. Domínios de Lingu@gem, v. 13, n. 1, p. 313-330, 3 fev. 2019.