A “Pacificação” de acordo com o Diretório Pombalino e sua realidade nos aldeamentos de Maria I E São José De Mossâmedes

  • Gabriel Zissi Peres Asnis

Resumo

O artigo busca desconstruir a imagem de que os aldeamentos de Maria I e São José de Mossâmedes construídos na antiga capitania de Goiás, no século XVIII, sob as exigências do Diretório pombalino, tiveram como pressuposto a “pacificação” da relação entre agentes coloniais e populações indígenas que habitavam o Brasil central – mais especificadamente os “Cayapó” descritos na documentação histórica –. A “pacificação” no período colonial, de acordo com João Pacheco de Oliveira Filho (2016), tinha o objetivo de fazer surgir um “novo índio”, cristão e súdito fiel do rei de Portugal, além de servir como mão-de-obra para os interesses econômicos da coroa. Ou seja, a premissa da “pacificação” nada mais era do que a de impor um modelo cultural para os indígenas, que receberiam em troca o “cessar fogo” dos ataques que vinham sofrendo desde o primeiro contato, em 1723. Em contrapartida, buscar-se-á compreender como que o conceito da “pacificação” foi apropriado por esses grupos denominados “Cayapó” para a concretização de seus próprios interesses. Veremos que se antes da construção dos aldeamentos essas populações seguiam uma lógica da guerra para aquisição de bens materiais e culturais, ou seja, uma prática da estrutura, agora passa a haver uma estrutura da prática, tal como teorizado por Marshall Sahlins (1990; 2008), em que novas formas de se relacionarem com a alteridade entram em jogo, causando uma redefinição da guerra para ambos os lados, sendo esse o ponto chave do trabalho.

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Publicado
2019-12-26
Seção
Dossiê: Os Povos Indígenas na História: agenciamentos, direitos e lutas