Chamada de publicação: Dossiê Arquivos: teoria e ensino em diálogo com diferentes públicos

 

Convidamos todos os interessados a contribuir com artigos para o próximo número da Revista “Cadernos de Pesquisa do Centro de Documentação e Pesquisa em História (CDHIS)” do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia, a fim de compor o dossiê temático Arquivos: teoria e ensino em diálogo com diferentes públicos. Tomado em diferentes áreas disciplinares e perspectivas teóricas, desde as tipologias científicas e tecnológicas de organização de documentações variadas até o uso comum e corriqueiro das informações cotidianas, arquivos são referenciais e suportes dotados de finalidades, usos e interesses múltiplos voltados à orientação espaço-temporal da vida individual e coletiva. O período de envio dos artigos para o dossiê é até 29 de agosto de 2020. 

Desde a construção de arquivos públicos, no contexto da formação dos Estados Nacionais modernos, diversificam-se as tipologias, debates e perspectivas de abordagem dos arquivos. Seja em torno dos debates conceituais que extrapolam e criticam o horizonte institucional de tais aparelhos e sua relação com os poderes vigentes, seja em concepções elaboradas que não restringem os arquivos a determinados “documentos físicos”, mas compreendem tal conceito como todo um campo discursivo e simbólico disponível aos sujeitos de uma determinada sociedade. Num mundo de arquivos virtuais, privados, pessoais, literários, ficcionais, midiáticos, patrimoniais, hegemônicos e marginais, faz-se necessário um olhar atento a tais configurações do mundo cultural e político.

 Várias são as possibilidades e questões que perpassam os eixos temáticos escolhidos para este dossiê.  Neste sentido, Achille Mbembe, em sua “Crítica da razão negra” (2013), defende que “a instauração de um arquivo é indispensável para restituir os negros à sua história”, o que reforça para nós a pauta de reflexões sobre as políticas de memória (portanto de lembrança e esquecimento) que têm prevalecido na contemporaneidade.

A democratização (ou não) do acesso aos acervos também vem sendo questionada, do ponto de vista ético-político e educativo, e nos traz indagações sobre os usos públicos do passado e do presente, bem como das possibilidades e limites de interação num ambiente cujo domínio de ferramentas de interação e a compreensão dos processos de arquivamento dos documentos não são do conhecimento de todos os públicos, conforme sugere Adriana Koyama, na obra “Arquivos online: ação educativa no universo virtual” (2015).

Dessa forma, nesse dossiê esperamos reunir contribuições para continuarmos refletindo sobre os desdobramentos conceituais e pragmáticos da ampliação das percepções semântica e simbólica dos arquivos, sobre a função dos arquivos em regimes de verdade distintos e nas lutas contemporâneas em torno das afirmações de populações historicamente excluídas no processo modernizador, no papel dos arquivos no ensino e na formação docente, entre outras questões que realcem o termo “arquivo” como uma possibilidade de se tornar um viés para a interpretação de questões passadas e contemporâneas. Como arquivos garantiriam, referendariam ou dariam suporte às práticas, discursos e demais ações que conformam as identidades coletivas e individuais no passado e no presente?

 

Organizadores: Dr. Thiago Lenine Tito Tolentino (INHIS/UFU) e Dra. Nara Rúbia de Carvalho Cunha (INHIS/UFU)

Período de submissão de artigos: 01 de junho a 29 de agosto de 2020

Data de publicação: segundo semestre de 2020