Pastagens degradadas, uma herança dos imóveis rurais desapropriados para os assentamentos rurais do Cerrado goiano

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Marcelo Scolari Gosch
Leandro Leal Parente
Nilson Clementino Ferreira
Adriano Rodrigues de Oliveira Oliveira
Laerte Guimarães FERREIRA

Resumo

O presente artigo está pautado em dois objetivos: I) verificar a predominância de pastagens degradadas nos imóveis rurais desapropriados por meio da política de reforma agrária no estado de Goiás; e II) avaliar o potencial dos dados satelitários quanto a determinação das condições produtivas da terra. Assim, o estudo apresenta uma comparação entre diferentes métodos de avaliação de pastagens. De um lado, as avaliações realizadas pelo governo federal através de inspeção visual em campo, e de outro, avaliações apoiadas em estudos científicos sobre degradação de pastagens, utilizando técnicas de sensoriamento remoto e imagens de satélite Landsat-5, obtidas a partir da plataforma do Google Earth Engine. Os resultados demonstraram que ¾ das pastagens presentes nos imóveis que deram origem aos assentamentos rurais, tinham algum grau de degradação, revelando que os assentados, muitas vezes, herdam passivos ambientais. Os resultados demonstraram ainda, que o uso de técnicas de sensoriamento remoto e as adaptações metodológicas realizadas foram capazes de retratar a realidade em campo e que futuras avaliações de imóveis rurais realizadas pelo governo poderiam incorporar, mesmo que parcialmente, os métodos aqui apresentados.
 

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Como Citar
Gosch, M. S., Parente, L. L., Ferreira, N. C., Oliveira, A. R. de O., & FERREIRA, L. G. (2020). Pastagens degradadas, uma herança dos imóveis rurais desapropriados para os assentamentos rurais do Cerrado goiano. CAMPO - TERRITÓRIO: REVISTA DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, 15(35 Abr.), 202-229. https://doi.org/10.14393/RCT153508
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Marcelo Scolari Gosch, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria - INCRA

Agrônomo formado pela Universidade Federal de Goiás (2002), cursando atualmente Doutorado em Ciências Ambientais na Universidade Federal de Goiás, com Mestrado em Agronegócio na linha de pesquisa de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional na Universidade Federal de Goiás (2015) e Especialização - Em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Tocantins (2004). É Perito Federal Agrário - Engenheiro Agrônomo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA/GO. Atuando principalmente nos seguintes temas: Planejando de atividades pertinentes ao uso racional dos recursos naturais em Assentamentos Rurais, buscando solucionar o passivo ambiental (regularização ambiental dos assentamentos - execução do Cadastro Ambiental Rural - CAR) do INCRA - GO. Já exerceu cargo de direção no INCRA de Santarém - PA e em Goiás atuando nas áreas de Desenvolvimento dos Assentamentos e Meio Ambiente e Recursos Naturais. Desde sua graduação é comprometido com as questões ambientais e sociais do meio rural brasileiro.

Leandro Leal Parente, Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento – LAPIG, Universidade Federal de Goiás – UFG / IESA

Bacharel em Ciências da Computação (UFG/2010) e mestre em Ciências Ambientais (UFG/2017) com ênfase em processamento e análise de dados ambientais, bem como no desenvolvimento de aplicações WEB-GIS e bancos de dados geográficos. Atuou em 2011 no desenvolvimento de um sistema de informação geográfico para monitoramento ambiental, apoiado pela empresa Dell Computadores. Entre 2012 e 2013 auxiliou na concepção e implementação de uma solução de geomarketing para o segmento empresarial. Em 2014 foi Consultor internacional UNESCO, vinculado a Secretaria de Turismo do Distrito Federal, atuando no âmbito do Observatório de Turismo do DF. Em 2015 atuou como pesquisador associado do projeto "Spatial metrics and baselines of degradation patterns and provision of ecosystem services by pastures in Brazil", financiado pela "Gordon and Betty Moore Foundation". Em 2017 iniciou seu doutorado em Ciências Ambientais (UFG), concentrando sua pesquisa no estudo das pastagens brasileiras e desmatamentos no bioma Cerrado por meio de dados satelitários. Atualmente é pesquisador associado nos projetos MapBiomas e FIP-Cerrado.

Nilson Clementino Ferreira, Escola de Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás – UFG

possui graduação em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1990), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Ciências Ambientais pela Universidade Federal de Goiás (2006). Atuou no Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais entre 1995 e 2003. Foi docente da Universidade de Brasília, junto ao Centro Integrado de Ordenamento Territorial entre 1998 e 2001. Atualmente é professor da Escola de Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás. É professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais- CIAMB/UFG e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária PPGEAS/UFG. . Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geoprocessamento, atuando principalmente nos seguintes temas: Geoprocessamento, Cartografia, Sensoriamento Remoto, SIG, Monitoramento Ambiental e Zoneamento Ecológico e Econômico.

Adriano Rodrigues de Oliveira Oliveira, Instituto de Estudos Socioambientais - IESA, Universidade Federal de Goiás – UFG

Possui graduação (2000), mestrado (2003) e doutorado (2010) em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Câmpus de Presidente Prudente - SP. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas Trabalho, Território e Políticas Públicas (TRAPPU) vinculado ao Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais (LABOTER), pesquisador colaborador do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Dinâmica Regional e Agropecuária (GEDRA) da FCT/UNESP/SP. Fez estágio sanduíche na Université de Toulouse - Le Mirail (França) entre os meses de setembro de 2008 e fevereiro de 2009. Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal de Goiás (UFG). É professor nos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Geografia, Câmpus Samambaia de Goiânia/GO. Atualmente é vice-diretor do Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da UFG (Gestão 2018-2021). Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: políticas públicas, associativismo, agricultura camponesa, agroecologia e desenvolvimento rural.

Laerte Guimarães FERREIRA, Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento – LAPIG, Universidade Federal de Goiás – UFG / IESA

Graduado em Geologia pela Universidade de Brasília (1990), especialista em sensoriamento remoto pela UNESP / Rio Claro (1990), mestre em Geologia Econômica pela Universidade de Brasília (1993), doutor em Ciência do Solo / Sensoriamento Remoto pela University of Arizona (2001). Em 2011, durante período sabático, foi cientista visitante junto ao Center for Space Research / University of Texas at Austin. É professor titular da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde participa, na condição de membro permanente, do Programa de Pós-Graduação em Geografia (CAPES nota 5) e do Programa Multidisciplinar em Ciências Ambientais (CAPES nota 6). Entre 1994 e 2017, criou e coordenou o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (LAPIG \ www.lapig.iesa.ufg.br), uma das principais referências no país quanto ao processamento, análise e distribuição de dados satelitários de resolução espacial moderada aplicados ao monitoramento biofísico-ambiental e governança territorial. Entre setembro de 2009 e setembro de 2012 integrou o comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e entre outubro 2016 e dezembro 2018 fez parte do Grupo Assessor Especial (GAE) da Diretoria de Relações Internacionais da CAPES. Atualmente integra o Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (CONSUP / FAPEG) e é membro do Comitê Assessor de Geociências do CNPq. Também participa do Comitê de Coordenação Institucional do projeto "Desenvolvimento de sistemas de prevenção de incêndios florestais e monitoramento da cobertura vegetal no cerrado brasileiro" (FIP Cerrado / MCTIC / BIRD) e do Comitê de Coordenação da iniciativa MapBiomas (mapbiomas.org). Foi membro (2012 - 2015) do Conselho Deliberativo da Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (do qual foi presidente, durante o ano de 2013), Em 2010, recebeu da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás a Comenda Araguaia, pela contribuição à causa da preservação do meio ambiente no Estado de Goiás. É atualmente Pró-Reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal de Goiás.