Elocução de proa: o Diário da navegação (1769-1771) de Teotônio José Juzarte

  • Jean Pierre Chauvin
Palavras-chave: Teotônio José Juzarte, História, Retórica

Resumo

Neste artigo, examina-se o Diário da navegação, escrito pelo sargento-mor Teotônio José Juzarte no final do século XVIII. Orientado por preceitos de retórica e poética, pretende-se aproximar o leitor da mentalidade concebida pela coroa portuguesa, durante o reinado de Dom José I. Na análise, discute-se o lugar da narrativa de viagem, compreendida aqui como gênero próximo da épica, o que pressupõe ler o relato para além dos critérios anacrônicos de originalidade, marcas de subjetividade e autoria. Para isso, resgatam-se os vínculos entre a História (segundo a concepção de Heródoto) e a Retórica, em acordo com os preceitos de Aristóteles. O estudo considera o léxico empregado por Juzarte, propondo que o repertório adequa-se a tema, estilo e gênero afins.

 

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Biografia do Autor

Jean Pierre Chauvin

Doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da USP. Autor, entre outros livros, de Crimes de festim: ensaios sobre Agatha Christie. São Paulo: Todas as Musas, 2017. 

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Publicado
2019-12-16
Como Citar
Chauvin, J. P. (2019). Elocução de proa: o Diário da navegação (1769-1771) de Teotônio José Juzarte. Artcultura, 21(39), 205 - 222. https://doi.org/10.14393/artc-v21-n39-2019-52036
Seção
Artigos