O velho do Restelo e a empresa de Vasco da Gama na epopeia lusíada

Cleber Vinicius do Amaral Felipe

Resumo


As palavras proferidas pelo velho do Restelo no canto IV da epopeia Os lusíadas (1572), de Camões, integram um dos episódios mais comentados do poema. Este artigo propõe uma análise dessa personagem que leva em consideração os códigos linguísticos da época, avaliando a mobilização (ou imitação) de lugares-comuns presentes na tradição ou no costume do gênero épico. Há, em sua fala, a presença de tópicas muito antigas, como a valorização da experiência, a censura à cobiça e o elogio à prudência, tornando a passagem rica e central no conjunto do poema, por remeter àquilo que se esperava de súditos católicos a serviço da Coroa portuguesa. Por intermédio deste estudo, poder-se-á refutar a hipótese segundo a qual tal episódio estaria em desarmonia com o restante da epopeia por retratar uma posição contrária à empresa marítima portuguesa.

Palavras-chave: Os lusíadas; velho do Restelo; gênero épico.


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DOI: http://dx.doi.org/10.14393/ArtC-V19n35-2017-2-09