A grande arte de desaparecer: Rubem Fonseca e os documentários do Ipês

  • Ricardo Lísias

Resumo

Nos anos que antecederam o golpe militar de 1964, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipês) realizou diversas atividades de propaganda com o intuito de desestabilizar o governo de João Goulart e com isso ajudar no estabelecimento de condições que possibilitariam a ruptura democrática. Entre as atividades do instituto estava o financiamento, supervisão de criação e distribuição de uma série de documentários que, exibidos no país inteiro, tinham como intenção propagar a ideologia liberal e, ao mesmo tempo, fortalecer as correntes que queriam, a qualquer custo, a saída de Goulart. A autoria dos roteiros desses documentários é controversa: alguns pesquisadores a atribuem ao escritor Rubem Fonseca, apoiados em alguns documentos e testemunhos, enquanto outros recusam essa hipótese. Algo ainda não realizado é a comparação formal entre os documentários e a obra que Fonseca produziu nesse período. Este ensaio esboça, nos seus limites, uma comparação.

Palavras-chave: golpe de 1964; Ipês; Rubem Fonseca.

Biografia do Autor

Ricardo Lísias
Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Pós-doutorando na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Autor, entre outros livros, de A vista particular. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2016.
Publicado
2017-12-20
Seção
Dossiê História & Literatura