De leões sem garras e homens eruditos: visões do masculino em Lésbia (1890), de Maria Benedita Câmara Bormann (Délia)

Evander Ruthieri da Silva

Resumo


O artigo se propõe analisar a construção das masculinidades no romance Lésbia (1890), de Délia, pseudônimo literário de Maria Benedita Câmara Bormann (1853-1895). A trama narra a formação e a trajetória ficcional de uma romancista brasileira, por meio da qual a autora delata os estigmas sociais que recaem sobre as mulheres, sobretudo das classes médias, que anseiam pela inserção em carreiras profissionais no fin-de-siècle brasileiro. A multiplicidade de perfis masculinos delineados na narrativa possibilita a reflexão a respeito do modo como Bormann problematiza a construção dos modelos predominantes de virilidade na passagem para o período republicano no Brasil oitocentista, bem como seus impactos sobre as hierarquias e contrastes de gênero. Por um lado, indica as apropriações críticas de elementos do naturalismo no escrutínio de perfis de masculinidade compreendidos pela romancista como vaidosos e mesquinhos, violentos e irresponsáveis; por outro, sugere a possibilidade de outras vivências do masculino, demarcados pela erudição e sensibilidade, capazes de cultivar relações menos verticalizadas com mulheres, baseadas na paixão e na valorização do intelecto.

Palavras-chave: História e Literatura; Maria Benedita Câmara Bormann; Lésbia.


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DOI: http://dx.doi.org/10.14393/ArtC-V19n34-2017-1-13