A escrita de si stanislavskiana: quatro notas sobre Minha vida na arte

Henrique Buarque de Gusmão

Resumo


O livro Minha vida na arte, do diretor russo Constantin Stanislavski, é aqui analisado a partir da possível relação entre a “escrita de si” operacionalizada por seu autor e o “trabalho do ator sobre si mesmo” levado adiante pelo próprio Stanislavski em sua prática teatral. O artigo discute os dispositivos formais que tornam possível a construção de um personagem autobiográfico nessa narrativa (a noção idealista de arte, condições históricas específicas e, finalmente, a descrição do personagem), percebendo como, no desenvolvimento do enredo, ocorre uma fusão entre a voz do narrador e a voz do personagem. Tal fusão parece indicar uma das operações primordiais que os atores deveriam realizar para atingir a espontaneidade que o personagem busca ao longo de todo o livro em suas diversas experiências cênicas. Assim, recorrendo a ferramentas da crítica literária, da teoria da História e dos estudos teatrais, avança-se na hipótese de que o trabalho que Stanislavski propõe a seus atores passa, necessariamente, por um tipo de escrita que encontra no romance moderno a sua grande inspiração.

Palavras-chave: Constantin Stanislavski; teatro; autobiografia.


Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.14393/ArtC-V19n34-2017-1-08