Governar pela dívida e subjetividade funcional na educação: qual o lugar da deficiência?

Alexandre Filordi de Carvalho

Resumo


* Doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Apoio: CAPES. CNPq. FAPESP.

Governar pela dívida e subjetividade funcional na educação: qual o lugar da deficiência?

Resumo: A partir da leitura de Gouverner par la dette (LAZZARATO, 2014), o objetivo do trabalho consiste em investigar a relação das estratégias consolidadas em um tipo de sociedade governada pela dívida com a produção de subjetividades. Significa pensar que, neste tipo de sociedade, a subjetividade é absorvida pelos dispositivos e pelos agenciamentos da dívida compelindo cada um a uma experiência de endividamento próprio com uma mais-perfeição que nunca se obterá. Assim, reduz-se as possibilidades de modos de ser a uma subjetividade funcional. Privilegiando a deficiência como um valor próprio, a hipótese interpretativa assinala que o sujeito deficiente é um operador crítico e de mutação dos agenciamentos produtores de subjetividade na sociedade governada pela dívida. De um lado, porque o campo da deficiência anuncia uma polivocidade de sentidos contra a univocidade de sentidos que são forjados nas sociedades governadas pela dívida, sociedades com Estado (CLASTRES, 2009). Por outro lado, porque ao indagar a composição das unificações de sentidos, questiona-se a própria produção de subjetividades funcionais. Para tanto, o trabalho avança em três frentes. Na primeira, introduz a questão do governo da dívida na dimensão geral das sociedades com Estado e como esta relação assinala para uma produção cultural unificadora. A seguir, analisa a produção de subjetividade por intermédio do governar pela dívida. Finalmente, aborda a questão da deficiência como polivocidade de sentidos face à produção da subjetividade, trazendo implicações para se pensar o amplo papel da educação na cultura do governo pela dívida, perscrutando como a dimensão subjetiva pode ser distinta daquele a que somos destinados pela axiologia da dívida.

Palavras-chave: Governar pela dívida. Produção de subjetividades. Subjetividade funcional. Deficiência. Educação.

Governing by debt and functional subjectivity in education: what is the place of disability?

Abstract: From the reading of Gouverner par la dette (LAZZARATO, 2014), the aim of this text involves investigating the relationship of the consolidated strategies in a type of society governed by debt with the production of subjectivities. It means think that in this kind of society, the subjectivity is absorbed by some dispositives and the assemblages of debt compelling each one to an own debting experience with a more-perfection that it never gets. Thus, it reduces the possibilities of ways of being in a functional subjectivity. Privileging the disability as a proper value, the interpretive hypothesis points out that the disabled subject is a critical acting and, in the same time, a changeable of the assemblages producers of subjectitivy in the society governed by debt. On the one hand, because the field of disability announces a polyvocity of sens against univocal meanings shapping in societies governed by debt, societies of the State (CLASTRES, 2009). On the other hand, because when it inquire the composition of the unifications of senses it asking the own production of functional subjectivities. At first, it introduces the issue of governing by debt upon a general view concerning the societies of the State e how this relationship indicates to a cultural unifier production. Then, it analyzes the production of subjectivity through the governing by debt. Finally, it approaches the issue of disability as polyvocity of senses around the production of subjectivity, bringing some implications to think the broader role of education in the culture of government by debt, seeing how the subjective dimension can be different from that to which we are destined by the axiology of debt.

Keywords: Governing by debt. Production of subjectivities. Functional subjectivity. Disability. Education.

Gobernar por la deuda y subjetividad funcional en la educación ¿cuál es el lugar de la deficiencia?

Resumen: A partir de la lectura de Gouverner par la dette (Lazzarato, 2014), el objetivo del trabajo es investigar la relación de las estrategias puestas en tipo de sociedad gobernada por la deuda con la producción de las subjetividades. Esto significa pensar que, en tal sociedad, la subjetividad es absorbida por los dispositivos y agenciamentos da deuda llevando cada uno a una experiencia de endeudamiento propio con una más-perfección que jamás se llegará. Así, se reducen las posibilidades de modos de ser a una subjetividad funcional. Tomando la deficiencia como un valor propio, la hipótesis interpretativa indica que el sujeto deficiente es un operador crítico y de mutación de los agenciamentos productores de subjetividad en la sociedad gobernada por la deuda. De un lado, porque el campo de la deficiencia anuncia una multiplicidad de sentidos contra la unicidad de sentidos que son hechos en las sociedades gobernadas por la deuda, sociedades con Estados (Clastres, 2009). Por otro lado, porque al indicar la composición de las unificaciones de sentidos, cuestionase la propia producción de subjetividades funcionales. De hecho, el trabajo avanza en tres direcciones. En la primera, introduce la cuestión del gobierno da la deuda en la dimensión general de las sociedades con Estado y como esa relación indica una producción cultural unificadora. Después, se analiza la producción de subjetividad por medio del gobernar por la deuda. Por último, se investiga la cuestión de la deficiencia como multiplicidad de sentidos delante la producción de la subjetividad, trayendo implicaciones para se pensar el amplio papel de la educación en la cultura del gobierno por la deuda, analizando como la dimensión subjetiva puede ser distinta aquella a la cual somos destinados por la axiología de la deuda.

Palabras claves: Gobernar por la deuda. Producción de subjetividades. Subjetividad funcional. Deficiencia. Educación.

Referências

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Data de registro: 04/12/2016

Data de aceite: 17/05/2017

 


Palavras-chave


Governar pela dívida. Produção de subjetividades. Subjetividade funcional. Deficiência. Educação.

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