Ambiente da sala de aula: um estudo de caso

  • Maria Olímpia Paiva Universidade do Minho (Braga, Portugal)
  • Abílio Afonso Lourenço Universidade do Minho (Braga, Portugal)
Palavras-chave: Ambiente da sala de aula. Rendimento académico. Modelos de equações estruturais.

Resumo

 

*Doutora em Educação e Professora da Universidade do Minho, Braga -

**Doutor em Educação e Professor da Universidade do Minho, Braga -

Ambiente da sala de aula: um estudo de caso

Resumo: Das várias possibilidades de abordagem da sala de aula, a análise do ambiente de aprendizagem tem sido uma das opções de trabalho no campo educacional. Esta investigação tem como finalidade comprovar se o ambiente da sala de aula, bem como algumas variáveis sociodemográficas, são relevantes na explicação do rendimento acadêmico dos alunos. Para avaliar o ambiente da sala de aula foi utilizado o APSA - Escala do Ambiente Psicossociológico da Sala de Aula (Antunes 2002). Foi seleccionada uma amostra correspondente a 336 alunos do ensino obrigatório português (3.º ciclo do Ensino Básico), de duas escolas públicas do norte de Portugal. O objectivo foi orientado para a comprovação da viabilidade do modelo de equações estruturais (SPSS.17/AMOS.17), onde foram hipotetizadas e especificadas determinadas relações causais. Constatou-se que o ambiente da sala de aula tem um impacto positivo e significativo no rendimento académico dos alunos (Língua Portuguesa e Matemática).

Palavras-chave: Ambiente da sala de aula. Rendimento académico. Modelos de equações estruturais.

Abstract: Of the various ways of approaching the classroom, the analysis of the learning environment has been one of the options working in the educational field. The goal of this investigation is to corroborate the relevancy of the environment of the classroom together with other socialdemographic variables in accounting for students' academic achievement. To assess the environment of the classroom was used the "Psychossociological Environment of the Classroom" (APSA) scale (Antunes 2002). A sample of 336 students of the compulsory portuguese schooling (Middle School) has been selected of two state schools in the north of Portugal. The goal was oriented to test the adequacy of the structural equation model (SPSS.17/ AMOS.17), on which some specific and hypothetical causal relations have been posed. The environment of the classroom has a positive and significant impact in the academic achievement (Mother Language and Maths).

Keywords: Classroom environment. Academic achievement. Structural equation models.

Referências:

ANTUNES, J. (2002). Motivação e atitudes dos jovens alunos face ao ambiente da aula e da escola. Tese de mestrado não publicada. Lisboa: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

ANTUNES, J., & VEIGA, F. H. (2004, Maio). Aspectos motivacionais dos alunos e do ambiente da aula: variáveis do contexto escolar. Comunicação apresentada nas II Jornadas de Psicologia do Instituto Piaget. Almada: Campus Universitário, Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares.

ARBUCKLE, J. L. (2005). AMOS Version 6. Chicago, IL: Smallwaters Corporation.

BEMBENUTTY, H., & KARABENICK, S. A. (2003, April). Academic Delay of Gratification, Future Goals, and Self-Regulated Learning. Paper presented at tha Annual Meeting of the American Educational Research Association, Ghicago.

BIGGS, J. B. (1991). Approaches to learning in secondary and tertiary students in Hong Kong: some comparative studies. Educational Research Journal, 6, 27-39.

BIRCH, S., & LADD, G. (1998). Children's interpersonal behavior and the teacher-child relationship. Developmental Psychology, 4 (5), 934-946.

BOEKAERTS, M., PINTRICH, P. R., & ZEIDNER (2000). Self-regulation. Theory, research, and applications. Orlando, Fl: Academic Press.

BRAND, S., FELNER, R. D., & DUBOIS, D. L. (1996, March). Prospective study of school climate, social disadvantage, and academic adjustment in early adolescence. Paper presented at the biennial meeting of the society for research on Adolescence, Bóston, NA.

BRICKMAN, S., & MILLER, R. B. (2001). The impact of sociocultural knowledge on future goals and self-regulation. In D. McInerny & S. Van Etten (Eds.), Research on Sociocultural Influences on Motivation and Learning (pp. 119-137). Greenwich, CT: Information Age Publishing.

BYRNE, B. M. (1994). Structural equation modelling with EQS and EQS/ Windows: Basic concepts, applications and programming. Thousand Oaks, California: Sage Publications.

BYRNE, B. M. (2001). Structural Equation Modeling With AMOS - Basic Concepts, Applications, and Programming. New Jersey: Lawrence Erlbaum.

CASTANHEIRA, M. L., & SANTIAGO, A. L. (2004). Oralidade e escrita: dificuldades de ensino-aprendizagem na alfabetização. Boletim Salto Para o Futuro, 14-22.

Cirino, S. D., Eiterer, C. L., & Guimarães, E. J. (2004). Laboratório de Produção de Material Didático - PROMAD. In XII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino - ENDIPE. Anais do XII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (pp. 7887-7896). Curitiba.

DEL PRETTE, A., & DEL PRETTE, Z. A. P. (2001). Psicologia das relações interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis, Brasil: Vozes.

ESTRELA, T., & AMADO, J. (2000). Indisciplina, violência e delinquência na escola: uma perspectiva pedagógica. Revista Portuguesa de Pedagogia, 34 (1, 2 e 3), 249-271.

FORMIGA, N. S. (2004). O tipo de orientação cultural e sua influência sobre os indicadores do rendimento escolar. Psicologia: teoria e prática, 6 (1), 13-29.

FRANK, L. K. (1939). Time perspectives. Journal of Social Philosophy, 4, 293-312.

FRASER, B. J. (2002). Learning environments research: yesterday, today and tomorrow. In S. C. Goh, & M. S. Khine (Eds.), Studies in educational learning environments: an international perspective (pp.1-25). River Edge, NJ: World Scientific.

FRASER, B. J., & WALBERG, H. J. (1991). Educational environments: evaluation, antecedents and consequences. Oxford: Pergamon Press.

FREIRE, P. (2004). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. (29ª ed.). São Paulo: Editora Paz e Terra.

GILL, B. P., & SCHLOSSMAN, S. L. (2003). A nation at rest: the American way of homework. Educational Evaluation and Policy Analysis, 25 (3), 319-337.

HUGHES, J. N., CAVELL, T., & WILLSON, V. (2001). Further evidence for the developmental significance of teacher-student relationships: Peers perception of support and conflict in teacher-student relationship. Journal of School Psychology, 39, 289-301.

HUSMAN, J., & LENS, W. (1999). The role of the future in student motivation. Educational Psychologist, 34 (2), 113-125.

LENS, W. (1987). Future time perspective, motivation and school performance. In E. De Corte, J. Lodewijks, R. Parmentier & I. P. Span (Eds.), Learning and instruction: European research in an international context, Vol. 1, (pp. 81-189). Leuven, Belgium, e Elmsford, NY: Leuven University Press e Pergamon.

LEWIN, K. (1935). A dynamic theory of personality: selected papers. New York: McGraw-Hill.

LIPARINI, A., & MUNFORD, D. (2005). Análise de discurso dentro da sala de aula e a influência da metodologia 'Tempestade de ideias' no processo de aprendizagem dos alunos. In I Encontro Nacional de Ensino de Biologia. Anais do I Encontro Nacional de Ensino de Biologia (pp. 602- 606). Rio de Janeiro.

LOURENÇO, A. A. (2003). Indisciplina na escola: uma abordagem comportamental e causal. Tese de mestrado, não publicada. Porto: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa.

LOURENÇO, A. A. (2008). Processos auto-regulatórios em alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico: contributo da auto-eficácia e da instrumentalidade. Tese de doutoramento em Educação, não publicada. Braga: Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho.

LOURENÇO, A. A. (2009). Disrupção escolar no 3.º Ciclo do Ensino Básico: influência do ambiente psicossociológico da sala de aula. Trabalho de Pós-Doutoramento, não publicado. Porto: Universidade Fernando Pessoa.

LOURENÇO, A. A., & PAIVA, M. O. A. (2006). Comportamentos antissociais dos adolescentes: influência da satisfação escolar. Psicologia, Educação e Cultura 10 (1), 159-181.

LOURENÇO, A. A., & PAIVA, M. O. A. (2004). Disrupção escolar - estudo de casos. Porto: Porto Editora.

LOURENÇO, A. A., & PAIVA, M. O. A. (2008). Conflitos na escola - a dinâmica da mediação. Psicologia, Educação e Cultura, 12 (2), 315-336.

LOURENÇO, A. A., & PAIVA, M. O. A. (2009). Conflitos na escola: a importância da amabilidade na negociação. Educação e Filosofia, 23 (46), 145-168.

LOWE, B., WINZAR, H., & WARD, S. (2007). Essentials of SPSS for Windows versions 14 & 15: a business approach. South Melbourne, Victória: Thomson Learning Australia.

MARTÃN, E., MARTÃNEZ-Arias, R., MARCHESI, A., & PÉREZ, E. M. (2008). Variables that Predict Academic Achievement in the Spanish Compulsory Secondary Educational System: A Longitudinal, Multi-Level Analysis. The Spanish Journal of Psychology, 11 (2), 400-413.

MATOS, D. A. S., CIRINO, S. D., & LEITE, W. L. (2008). Instrumentos de avaliação do ambiente de aprendizagem da sala de aula: uma revisão da literatura. Ensaio-Pesquisa em Educação em Ciências, 10 (1), 117-130.

MORTIMER, E. F. (2000). Linguagem e formação de conceitos no ensino de ciências. Belo Horizonte: Ed. UFMG.

NASCIMENTO, S. S. (2002). A dinâmica discursiva em situações experimentais em espaços escolares e não escolares. Relatório de pesquisa. Pro-Reitoria de Pesquisa. UFMG.

NÓVOA, A. (2005). Evidentemente: Histórias da Educação. Porto: ASA.

PAIVA, M. O. A. (2003). Comportamentos disruptivos dos adolescentes na escola: influências do autoconceito, sexo, idade e repetência. Tese de mestrado, não publicada. Porto: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa.

PAIVA, M. O. A. (2008). Abordagens à aprendizagem e abordagens ao ensino: uma aproximação à dinâmica do aprender no Secundário. Tese de doutoramento, não publicada. Braga: Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho.

PAIVA, M. O. A. (2009). A dinâmica do autoconceito na disrupção escolar: um estudo com alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico. Trabalho de Pós-Doutoramento, não publicado. Porto: Universidade Fernando Pessoa.

PAIVA, M. O. A., & LOURENÇO, A. A. (2007). Conflitos negociados na escola - estudo comparativo entre escolas com características urbanas, suburbanas e rurais. Psicologia, Educação e Cultura, 11 (1), 41-71.

PAIVA, M. O. A., & LOURENÇO, A. A. (2009). Comportamentos disruptivos versus rendimento académico: uma abordagem com modelos de equações estruturais. Psicologia, Educação e Cultura, 13 (2), 283-306.

PINTRICH, P. R., & ROESER, E. A. M. (1994). Classroom and individual differences in early motivation and self-regulated learning. Journal of Educational Psychology, 14 (2), 139-161.

RAMSDEN, P. (1988). Context and strategy: situational influences on learning. In R. R. Schmeck (Ed.), Learning strategies and learning styles (pp. 150-184). New York: Plenum Press.

ROESER, R. W., & ECCLES, J. S. (1998). Adolescents´ perceptions of middle school: relation to longitudinal changes in academic and psychological adjustment. Journal of Research on Adolescence, 8, 123- 158.

SADKER, M., SADKER, P., & KLEIN, S. (1991). The issue of gender in elementary and secondary education. In G. Grant (Ed.), Review of research in education (pp. 269-334). Washington DC: American Educational Research Association.

SCHUNK, D. H. (2005). Commentary on self-regulation in school contexts. Learning and Instruction, 15, 173-177.

SCHUNK, D. H., & ZIMMERMAN B. J. (1994). Self-regulation in education: Retospect and prospect. In D. H. Schunk & B. J. Zimmerman (Eds.), Self-regulation of learning and performance: issues and educational applications (pp. 305-314). Hillsdale, NJ: Erlbaum.

SHE, H. C., & FISHER, D. (2000). The development of a questionnaire to describe science teacher communication behavior in Taiwan and Australia. Science Education, 84, 706-726.

SHUELL, T. J. (1986). Cognitive conceptions of learning. Review of Educational Research, 56, 411-436.

SOARES, J. F., ALVES, M. T. G., & OLIVEIRA, R. M. (2001). O efeito de 248 escolas de nível médio no vestibular da UFMG nos anos de 1998, 1999 e 2000. Estudos em Avaliação Educacional, 24, 69-117.

SOUSA, J. M. (2000). O professor como pessoa: a dimensão pessoal na formação de professores. Porto: ASA.

STODOLSKY, S. (1984). Teacher evaluation: The limits of looking. Educational Researcher, 13, 11-18.

ULLMAN, J. B., & Bentler, P. M. (2004). Structural equation modeling. In M. Hardy & A. Bryman (Eds), Handbook of data analysis (pp. 431-458). London: Sage.

VEIGA, F. H. (2001). Indisciplina e violência na escola: práticas comunicacionais para professores e pais (2ª ed.). Coimbra: Almedina.

VILLANI, C. E. P. (2002). As práticas discursivas argumentativas de alunos do ensino médio no laboratório didático de física. Tese de mestrado, não publicada. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

WALBERG, H. J., & HAERTEL, G. D. (1980). Validity and use of educational environment assessments. Studies in Educational Evaluation, 6, 225-238.

WINNE, P. H. (1995). Self-regulation is ubiquitous but its forms vary with knowledge. Educational Psychologist, 30 (4), 223-228.

ZABALA, A. (1998). A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda.

ZIMMERMAN, B. J., BONNER, S., & KOVACH, R. (1996). Developing self-regulated learners: beyond achievement to self-efficacy. Washington DC: American Psychological Association.

Data de Registro:16/12/09

Data de Aceite: 17/03/10

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Olímpia Paiva, Universidade do Minho (Braga, Portugal)
Abílio Afonso Lourenço, Universidade do Minho (Braga, Portugal)

Doutor em Educação e Professor da Universidade do Minho, Braga

Como Citar
Paiva, M. O., & Lourenço, A. A. (1). Ambiente da sala de aula: um estudo de caso. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA, 25(49), 17-42. https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v25n49a2011-01